domingo, 8 de fevereiro de 2015

SEMANA " BAHÊA". TUDO SOBRE O PRÓXIMO ADVERSÁRIO DO GALO!

BRUNO PAULISTA VEM SENDO O GRANDE NOME DO BAHIA


    Na próxima quarta feira no estádio Rei Pelé o CRB irá fazer sua segunda partida na Copa do Nordeste, o adversário será o tradicional BAHIA que não tem boas lembranças de nossa capital, ano passado jogando no Rei Pelé e por esta mesma competição foi massacrado pelo CSA ( 4x1 ). A equipe baiana que tem a maior torcida de seu estado e já foi campeã brasileira em 1988, em um time que apresentou para o Brasil nomes como Paulo Rodrigues, Bobô, Charles e Zé Carlos, hoje vive um outro momento. Em 2014 o Bahia foi rebaixado para série B do brasileiro e fez uma pequena reformulação no seu elenco.  Chicão ex Flamengo, Léo Gamalho e Tony Maraial ex Santa Cruz, Tiago Real ex Goiás e Willians ex América-MG foram alguns dos reforços contratados. Da equipe rebaixada e que formam o time base ficaram o zagueiro Titi, os atacantes Kieza e Maxi, o goleiro Omar e o lateral esquerdo Raul. O time é dirigido por Sergio Soares, 48 anos e que foi vice campeão desta competição com o Ceará em 2014, Soares que encerrou sua carreira como jogador em 2004 no Santo André, clube que dirigiu em duas oportunidades, além de passagens por Barueri e Juventus de São Paulo. Em sua estreia na competição, a equipe baiana venceu o Campinense por 1x0 com gol do atacante Kieza, jogador com boas passagens por Náutico e Fluminense, no campeonato baiano são dois jogos com uma derrota ( 2x0 Vitória da Conquista ) e uma vitória no último sábado ( 3x1 no Jacobina ). A equipe atua no 4-4-2 clássico, tendo os dois volantes Feijão e o jovem e muito bom de bola Bruno Paulista, canhoto de 1,90m e promovido ao time de cima na reta final do último brasileirão. Os dois meias utilizados por Soares são Tiago Real e o jovem e habilidoso Rômulo, outro oriundo das divisões de base, na partida do último sábado Feijão foi sacado e Maxi entrou no ataque formando com Kieza e Willians, aquele mesmo que apareceu muito bem no Vitória da Bahia e com passagens discretas por Fluminense e Palmeiras, nesta formação Tiago Real fez o segundo homem, acho pouco provável Soares escalar o Bahia desta forma aqui em Maceió, ele que conta também como boa opção para o meio campo com Pittoni, vice campeão da libertadores em 2013 naquela final histórica Olimpia x Atlético-MG. Na linha defensiva Tony Maraial que jogou no CRB, Chicão, Titi e Raul são os titulares, Omar é absoluto no gol da equipe baiana. O jogo será complicado para o galo que não terá o atacante Lima, galo que peca nesta temporada por não ter jogadores de velocidade, ser um time lento e de mais toque de bola, o que pode facilitar a lenta defesa do adversário formada pelo veterano Chicão e pelo pesado e inconstante Titi. Time base do Bahia tem:

OMAR- 26 ANOS; TONY MARAIAL- 25 ANOS; CHICÃO- 33; TITI- 26; RAUL- 29; FEIJÃO- 20; BRUNO PAULISTA- 19; TIAGO REAL- 26; RÔMULO- 19; WILLIANS- 26; KIEZA- 28. Sergio tem boas opções: LÉO GAMALHO- 29 ANOS; WILSON PITTONI- 29; MAXI- 30 ANOS. 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Torcida única em clássico é mais uma violência contra o futebol

Torcida Palmeiras - Arena Palmeiras (Foto: Marcos Ribolli)

Proibição de corintianos no estádio do Palmeiras esconde problemas: incapacidade de garantir segurança e impunidade. Maiores brigas acontecem longe do estádio



     A determinação de torcida única no clássico entre Palmeiras e Corinthians é mais uma vitória da incompetência no futebol brasileiro. No caso, das autoridades, que não conseguem garantir a segurança da maioria do público diante do vandalismo de uma minoria. Ou seja, nada além do retrato de uma questão social e generalizada que também se reflete no esporte.
Pior: a medida nem mesmo é eficaz. Reportagem do "LANCE!" desta sexta-feira mostra que nove das 275 mortes ligadas ao futebol ocorreram nos estádios. A última vítima, no dia 25 de janeiro deste ano, se envolveu em briga num domingo em que o Corinthians jogou de manhã, no Pacaembu, e o Palmeiras à noite, em seu estádio. Na Argentina, por exemplo, a torcida visitante já foi vetada há mais de um ano e as mortes não cessaram.
Os pontos de violência na cidade de São Paulo são conhecidos há anos. São sempre as mesmas avenidas ou estações. Os "encontros" são marcados nas redes sociais. O que o Ministério Público e a Polícia Militar farão no domingo? Proibirão os corintianos de saírem de casa? "Olha, seu José, o senhor não pode ir à padaria hoje porque haverá palmeirenses circulando por aí".
Proibir os corintianos de irem ao estádio do Palmeiras não adiantará nada, assim como não adiantaria se fosse o contrário ou em nenhum outro caso. Só vai despertar ainda mais a fúria e prosseguir com a mutilação do charme de um dos clássicos mais tradicionais do mundo.
Assistir a um jogo de futebol no estádio equivale a uma sensação única, um prazer indescritível. Aos poucos, o paulistano perde até isso. Não pode mais ter bandeiras, não pode máscaras, não pode instrumentos musicais, não pode tomar cerveja, não pode ter torcida visitante. O futebol foi derrotado pelo "não". É a casa do "não".
Isso interfere no espetáculo. O jogador do Corinthians não poderá ser inflamado pelo grito de seu torcedor, não poderá se esforçar para, no fim da partida, olhar para ele e dizer: "Obrigado por ter vindo, valeu a pena!". E o atleta do Palmeiras não poderá dedicar cada gota de suor a vencer e deixar o recado ao corintiano: "Aqui, não!".
Não, não e não... "Sim", apenas para a violência, já que os torcedores que brigam, matam e espalham terror continuam frequentando estádios livremente. Se não forem num domingo, voltam na quarta, no sábado. E continuarão vetando direitos da maioria graças à impunidade e à transferência de responsabilidades das autoridades.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

BOMBA: Anderson testa positivo em antidoping realizado antes da luta contra Diaz

 Anderson Silva X Nick Diaz, UFC 183 (Foto: Getty Images)

    Uma bomba explodiu no mundo do MMA nesta terça-feira. Ex-campeão dos pesos-médios UFC,Anderson Silva foi flagrado no exame antidoping após metabólitos de drostanolona e androsterona serem encontrados em seu exame de sangue, realizado pela Comissão Atlética de Nevada (NSAC) no dia 9 de janeiro, portanto antes da luta contra Nick Diaz, no UFC 183, no último sábado, em Las Vegas. O resultado do teste foi revelado nesta terça-feira, e o UFC confirmou a informação através de um comunicado oficial. O lutador ainda pode solicitar a contraprova.
Anderson foi submetido a três exames: de sangue, nos dias 9 e 19 de janeiro, e de urina, no dia 31. Os dois últimos deram limpos, ao contrário do primeiro.
Nick Diaz também caiu no doping, no entanto, em exame feito após o confronto com Spider. O resultado do teste do americano aponta para metabólitos de maconha, segundo informações do "Yahoo!Sports". Esta é terceira vez que ele é pego nesta situação pela Comissão Atlética de Nevada. Em 2007, pelo Pride, e no UFC 143, em 2012, quando enfrentou Carlos Condit pelo cinturão interino dos meio-médios, Diaz testou positivo para THC, princípio ativo da maconha.
Anderson pode ser punido, pois as substâncias encontradas em seu organismo, são passíveis de pena dentro ou fora do período de competição. Flagrado no exame pós-luta, Diaz, reincidente, também não deverá passar impune. 
Confira a íntegra do comunicado oficial do UFC:

"Em 03 de fevereiro de 2015, a organização do UFC foi notificada pela Comissão Atlética de Nevada que Anderson Silva testou positivo para Drostanolona no teste para sua luta, realizado no dia 09 de janeiro. O UFC compreende que mais testes serão conduzidos pela Comissão para confirmar estes resultados preliminares.

Anderson Silva tem sido um excelente campeão e um verdadeiro Embaixador do esporte das artes marciais mistas e do UFC. O UFC está desapontado por saber destes resultados iniciais.

O UFC tem uma rígida e consistente política contra o uso de qualquer droga ilegal, de alteração de desempenho ou agentes mascarantes, por parte de seus atletas".

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

SEMANA GLOBO: TIME BASE, MÉDIA DE IDADE E OUTRAS CURIOSIDADES DO PRÓXIMO ADVERSÁRIO DO GALO

   
  Na próxima quinta feira no estádio Barretão que tem capacidade para 10.000 pessoas e fica na cidade de Ceará Mirim-RN a 34 Km da capital Natal, o CRB irá fazer sua estreia na Copa do Nordeste 2015 diante do time da casa, o jovem Globo Futebol Clube. Fundado em outubro de 2012 e só reconhecido pela Federação Potiguar em 2013, o Globo tem como proprietário o empresário Marconi Barreto, potiguar e fã do falecido empresário Roberto Marinho, fundador da Rede Globo de televisão, por isso o nome do seu time foi escolhido Globo. Mesmo sendo um time criado a três anos, o Globo já conta com um complexo de treinamento e com seu estádio que na última série D recebeu um público que ficou na casa 1200 torcedores por partida, a equipe que ficou entre os dez da competição. Campeão da segunda divisão do Rio Grande do Norte em 2013 e campeão da Copa FNF em 2014 ganhando assim a vaga na Copa do Brasil, o águia como é conhecido, teve seu ápice na primeira divisão do campeonato potiguar ano passado, quando foi vice campeão sendo derrotado pelo América, garantindo sua vaga nesta Copa do Nordeste. A equipe é dirigida pelo jovem Leandro Sena que iniciou sua carreira na reta final da série B 2013 livrando o América-RN do rebaixamento, depois comandou o Treze e o Icasa até desembarcar em Ceará Mirim. O time base tem uma média de idade de 29 anos, tanto nos amistosos da pré temporada como na estreia do campeonato ( Ontem o Globo venceu o Baraúnas por 1x0 fora de casa ) Sena vem escalando a equipe no 4-5-1, sendo dois volantes e três meias no meio campo e Romarinho, jogador revelado no clube e o mais novo da equipe com apenas 20 anos. Renatinho Potiguar que já passou por CSA e CRB aqui em Alagoas é o mais conhecido da torcida alagoana, ele lateral esquerdo de origem e que nesta equipe do Globo vem atuando como um meia mais avançado fazendo um excelente lado esquerdo com o lateral Nininho. Da equipe base, 10 jogadores são remanescentes da última série D, só o meia Marcel chegou nesta temporada vindo da Jacuipense e 8 estão no clube desde sua fundação, o time base tem: RAFAEL( 24), GLAUBINHO ( 25), MARCELO ( 29), ROBSON ( 38) e NININHO ( 27); RAMON ( 27), JOZICLEY( 33), MILLER ( 25), MARCEL (27) e RENATINHO POTIGUAR ( 32); ROMARINHO ( 20). Os atacantes Indio Oliveira ( 21) que está no clube desde o início de sua trajetória e o experiente Fábio Silva de 34 anos e que rodou por mais de 20 clubes na carreira, inclusive o CRB, são boas opções do técnico Leandro Sena. O Globo que vem sendo comparado por alguns torcedores nas redes sociais com o Ipanema, CEO e outros do nosso interior, de bobo não tem nada, é um clube que vem conquistando seus objetivos em um curto espaço de tempo, nos últimos anos vem sempre chegando nas finais das categorias de base, revelou o atacante Ricardo Lopes, destaque do último campeonato potiguar, tem uma equipe experiente, jogadores poucos conhecidos mas bastante rodados, tem uma ótima estrutura física, um bom estádio e todos os seus departamentos profissionalizados, portanto muito respeito a esta jovem equipe do Rio Grande do Norte. O GLOBO NÃO É BOBO!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A mina de ouro na torcida: como os sócios podem enriquecer seus clubes

      tabela sócios 2 (Foto: GloboEsporte.com)

  Está à beira da verdade, em alguns clubes brasileiros, aquele velho clichê do torcedor que se dirige enfurecido a um boleiro qualquer e diz: “Sou eu quem paga teu salário!”. A consolidação dos planos de sócios vem rendendo fortunas a algumas das principais equipes do país, bancando boa parte das despesas gastas com o futebol – e, indiretamente, fazendo com que o associado contrate, mantenha e pague pelos atletas que vestem a camisa de seu time do coração. É uma mina de ouro que, de tão óbvia, demorou a ser descoberta – e uma realidade em processo de mutação: enquanto alguns já olham para o futuro, com um longo potencial ainda a ser explorado, outros tentam sair da idade da pedra.

O panorama nacional é discrepante a ponto de o Inter, com torcida menos numerosa, ter oito vezes mais sócios do que o Vasco: 129 mil contra 15 mil (os números usados nessa reportagem são baseados em informações do "Movimento por um futebol melhor", abastecido com dados dos próprios clubes). Por uma razão bastante simples: capacidade administrativa. Enquanto os gaúchos em 2008 já lotavam o Beira-Rio contra o Estudiantes, na final da Sul-Americana, exclusivamente com associados, a nova diretoria dos cariocas adentra 2015 precisando bolar um programa de sócio-torcedor que funcione.

É uma vastidão que pode separar vencedores de rebaixados. Os sócios do Cruzeiro ajudaram o clube a ser bicampeão brasileiro injetando R$ 54 milhões nos cofres celestes ao longo de 2014 – R$ 34 milhões em pagamentos de mensalidades e R$ 20 milhões na compra de ingressos com descontos (Inter e Grêmio arrecadaram mais de R$ 40 milhões cada, segundo dados passados pelos clubes à reportagem). O Botafogo, submerso à Série B, enquanto isso, lucrou R$ 400 mil mensais. Foram menos de R$ 5 milhões no ano. Seu quadro social é inferior ao do Grêmio Osasco.

   O caso do Inter leva a uma tentação: concluir que são os resultados de campo que determinam o sucesso de um quadro social. O clube viveu um boom de associações em idos da década passada, quando conquistou a Libertadores (2006), o Mundial (2006), a Recopa (2007) e a Sul-Americana (2008). Mas o investimento no conceito de torcedores sendo a principal fonte de renda é anterior: em 2003, com o lançamento de seu planejamento estratégico, o clube traçou como meta pular de menos de 10 mil sócios para 100 mil até 2010. Em 2009, ano de seu centenário, a marca foi alcançada. E o quadro associativo seguiu crescendo nos últimos anos - aí sem estar atrelado a grandes conquistas. Nas últimas três temporadas, o Colorado só ganhou o estadual. 

O Palmeiras é o clube do momento no assunto. E também coloca por água abaixo a ideia de que o campo determina o sucesso do plano social. Quase rebaixado no Brasileirão do ano passado, o clube vive uma escalada impressionante em seu quadro associativo. Só neste começo de 2015, foram 18 mil novos sócios, média de 690 por dia – que catapultaram o Alviverde ao segundo posto no ranking nacional, com 82 mil participantes. Cabe reparar: o Palmeiras tem mais sócios angariados em 26 dias do que clubes como Vasco e Botafogo na totalidade. O número decorre de uma campanha pesada de marketing do “Programa Avanti Palmeiras”, da empolgação com as contratações feitas pela diretoria e do surgimento da sua arena.

- O Avanti já é uma das principais fontes de receitas do Palmeiras. Em breve, deve se consolidar como a segunda maior, atrás apenas da TV. Juntamente com a reestruturação financeira que fizemos nos últimos dois anos, o crescimento do Avanti é a principal razão de termos condições de ampliar os investimentos no departamento de futebol. Quanto mais sócios tivermos, mais forte será o Palmeiras – diz o presidente do clube, Paulo Nobre.
O Grêmio é outro caso de sucesso no plano de sócios independente de sucesso no campo. O clube não conquista um título expressivo desde a Copa do Brasil de 2001. Mesmo assim, tem mais de 80 mil associados. Ou seja, não são as taças que alavancam a torcida: é a torcida que tenta alavancar o clube na expectativa pelo retorno das taças. Aí entra um conceito imaterial: a paixão efetiva pelo time. Um estudo feito pela Pluri Consultoria, divulgado em outubro de 2013, apontou a torcida gremista como a mais fanática do país, seguida pela do Inter. São, coincidência ou não, dois dos três clubes com mais sócios no Brasil.

- O Grêmio tem um dado fundamental: o nível de engajamento da torcida. Ser fanático significa estar engajado. O Grêmio também é um dos clubes com maior receita de venda de licenciamento de produtos. Acontece porque tem alto nível de engajamento. Isso é determinante para o sucesso do plano de sócios também. O que explica termos esse número de sócios sem um título expressivo recente? É o engajamento – comenta Beto Carvalho, diretor de marketing do Grêmio.
Fanatismo ajuda, mas não basta: é preciso entregar um produto funcional, bem elaborado e vantajoso, sob pena de o torcedor deixar de ser sócio no primeiro insucesso do time. Na prática, o associado é fisgado como torcedor, mas precisa ser mantido como cliente: revista chegando em dia, descontos efetivamente aplicados, tecnologia funcionando na hora de comprar o ingresso, facilidade para pagar a mensalidade. 

De novo, há exemplos de mundos muito diferentes: enquanto no Cruzeiro mais de 95% dos sócios pagam o valor mensal com cartão de crédito (o que torna a inadimplência quase nula), no Vasco há casos de torcedores que precisaram ir a São Januário quitar uma mensalidade que não apenas é paga por boleto: é paga por um boleto que nem sempre chega. 
- O sócio é um produto entre vários produtos do clube. E precisa ser trabalhado assim. O programa precisa ter qualidade, o torcedor precisa perceber valor nele. É uma visão que pode até parecer fria, do futebol como negócio, mas em cima de algo apaixonante. É preciso que você consiga fazer a entrega de um produto de qualidade. Aí o torcedor vai consumir o produto. São consumidores da paixão. Precisa dar tratamento de produto a isso – opina o diretor de marketing do Cruzeiro, Marcone Barbosa.

Ao entregar um produto de qualidade, os clubes dão um passo importante para minimizar o efeito sazonal dos planos de sócios: a adesão em massa em momentos de decisão de títulos, por exemplo, e a baixa fidelidade depois disso. Para esses projetos, mais desafiador do que alcançar um número expressivo de associados é mantê-los ligados ao clube. É essa a grande missão do Palmeiras no momento. Algo que o Inter conseguiu vencer.
 Ao longo da história do Internacional, já tivemos quadros sociais fortes em outros momentos, até acima de 50 mil. O segredo era segurar esse sócio. Eles entravam por causa de um time montado para determinado campeonato, mas não ficavam. A partir da chegada desse futebol moderno, desse futebol como negócio, com televisão e grandes patrocinadores, o segredo é manter o cara preso ao quadro social, independente do resultado de campo – analisa Jorge Avancini, diretor executivo de marketing do Colorado.
O tamanho do investimento dos clubes em esforço, criatividade e dinheiro com o plano de sócios também ajuda a determinar o sucesso dele. Quanto mais variadas e firmes forem as ações de marketing com os sócios, mais eles terão motivos para seguir no quadro – e mais novos integrantes serão somados. 

O Palmeiras vem fazendo de tudo: sócios batendo bola com jogadores, fazendo entrevistas com os reforços, andando no ônibus com o elenco e até assistindo a jogos, na beira do campo... em um sofá. O Grêmio tem investido em produtos diferenciados, com descontos para associados: já lançou hamburgueria e adentrou o ramo de picolés mexicanos. O Inter, no ano passado, rodou 70 mil quilômetros pelo interior do Brasil para angariar novos sócios. Em sua pré-temporada, em 2015, levou para a cidade de Bento Gonçalves máquinas que fazem carteirinhas de sócio instantaneamente. 
Outro dado interessante é o elemento lar. Entre os oito clubes com mais sócios no Brasil, seis têm estádio próprio: Inter (1º), Palmeiras (2º), Grêmio (3º), Corinthians (4º), Santos (6º) e São Paulo (8º). As exceções são Cruzeiro (5º) e Flamengo (7º). O caso celeste merece uma ressalva: o plano cresceu exponencialmente quando o time voltou a jogar no Mineirão, em processo que coincidiu com uma espécie de adoção do estádio como casa da Raposa, enquanto o Atlético-MG preferia tratar o Independência como sua moradia.

- Tem que ter casa. Nós sempre tivemos. Os clubes do Rio não têm casa. É aquele negócio: é minha hoje, mas amanhã pode ser do Vasco, depois do Flamengo. Sempre trabalhamos com essa ideia da casa. Eu sei, quando vou ao Beira-Rio, que meu pai também ia ali. Sei o lugar onde ele sentava. Isso é muito importante para nós – afirma o diretor de marketing colorado.
A má notícia é que boa parte dos clubes brasileiros aproveita uma fatia pequena do potencial de seus torcedores. E a boa notícia... é que boa parte dos clubes brasileiros aproveita uma fatia pequena do potencial de seus torcedores. Soa estranho, mas é isso mesmo: se o cenário é ruim, há o alento de que há muito a se explorar. Ou seja, há dinheiro a circular na direção da conta bancária de clubes geralmente atolados em dívidas.
Por diferentes motivos, clubes como Corinthians, Flamengo, Atlético-MG, São Paulo, Vasco, Botafogo e Fluminense ainda não exploram devidamente a paixão de seus torcedores. O Timão é um caso curioso: tem um quadro social expressivo, uma torcida ensandecida pelo time, mas a arrecadação é pouco expressiva. Segundo dados do próprio clube, calcula ter fechado 2014 com cerca de R$ 5 milhões saídos de associações. No Timão, os sócios não ganham descontos na compra de ingressos (apenas preferência de compra), e os planos são anuais. 
Temos uma política de preço não tão agressiva quanto a dos outros clubes. Se fizermos o comparativo desse processo, da política de preços, podemos perceber isso. Optamos por manter essa política de preços. Em alguns planos, inclusive, diminuímos os preços na renovação dos programas. Ainda não é um modelo ideal, mas atende muito bem o nosso público. Vamos manter isso sem estar preocupados com o que está acontecendo nos outros clubes – diz Lúcio Blanco, diretor de arrecadação do clube.

São Paulo e Vasco têm torcidas extremamente numerosas e contam com estádios próprios – sempre um chamariz de sócios. Poderiam ter bem mais do que os 43 mil e 15 mil atuais, respectivamente. E há sempre o exemplo do Flamengo. Com algo entre 30 e 40 milhões de torcedores (são 32,5 milhões, segundo pesquisa feita no ano passado pelo Ibope e pelo jornal "Lance!"), um clube cuja prioridade atual é eliminar dívidas históricas ainda não conseguiu fazer aquilo que parece elementar: convencer sua enorme legião de incentivadores a sustentar o futebol rubro-negro.

Um levantamento feito pela Pluri mostra o tamanho do caminho a ser percorrido. O cálculo está na relação entre número de torcedores e número de associados. No Inter, para cada 100 colorados, 2,6 seriam sócios do clube. É o líder do ranking. No Flamengo, o índice é de uma inferioridade impressionante: 0,16. Projetando-se ao clube carioca os mesmos percentuais do Colorado, o Fla deveria ter mais de 860 mil sócios. 
Se for aplicado a esse raciocínio o chamado “índice Benfica”, que tem cerca de 4% de sua torcida associada ao clube, o número se torna ainda mais gritante: aí o Flamengo teria 1,3 milhão de sócios (veja projeções no quadro abaixo). Seria milionário por causa de seu torcedor.
info número sócios x índice Benfica 2 (Foto: infoesporte)
A diretoria rubro-negra garante estar ciente de que este é um universo a ser explorado. O plano de sócio-torcedor é um dos pilares da tentativa de saneamento financeiro do clube, embora o número tenha sofrido uma queda brusca recentemente (teve um pico de 64 mil em abril de 2014 e agora está em 53 mil). 
A gente entende que é um processo de crescimento contínuo, de engajamento, de entender que essa é a ferramenta para tornar o Flamengo um dos clubes mais fortes financeiramente do mundo, e que com isso pode ficar esportivamente também. Queremos estar entre os cinco maiores do mundo em um futuro próximo – afirma Bruno Spindel, diretor de marketing do Flamengo. - É um movimento que se retroalimenta. Estamos resgatando a credibilidade do clube, e o torcedor investe também por isso, e aí temos mais recursos. Temos como meta o que faz o Benfica. Se conseguirmos, teremos mais de 1 milhão de sócios.
Os quatro maiores clubes do Rio de Janeiro, somados seus quadros sociais, não alcançam os calcanhares do Inter: a somatória dá 28 mil a menos do que os filiados ao clube gaúcho. O dado mostra o terreno a ser percorrido no Rio de Janeiro. Botafogo e Vasco estão reformulando seus projetos. Ao longo do primeiro semestre, esperam colocar em prática novas campanhas que os tirem do limbo. Dos 12 principais clubes dos maiores centros do país, eles são aqueles com menos sócios. O Botafogo fica abaixo de 9 mil associados. Perde para clubes como Chapecoense, Grêmio Osasco e Joinville. E acredita que pode aumentar esse número em dez vezes.

- Criamos um grupo para reformular nosso projeto de sócio-torcedor. Vamos colocar uma série de incentivos para todos os torcedores, inclusive os que moram fora do Rio. O plano é que possam até mesmo votar para presidente. Pagando três anos, poderão votar. – comenta Márcio Padilha, vice de comunicação e marketing do Botafogo. - Temos como base o percentual (do total de torcedores que se associaram) do Inter. Fazendo essa projeção para o Botafogo, poderíamos ter 95 mil. Com esse número de sócios, a arrecadação pagaria a folha de pagamento do futebol, pagaria investimento na base, seria importantíssima. 
No Vasco, o objetivo é já fechar 2015 com ao menos 40 mil associados. A exemplo do Botafogo, o clube cruz-maltino aguarda questões funcionais, especialmente sobre uso de tecnologias (cadastro e pagamento online e acesso a catracas), para colocar os planos em prática no decorrer do primeiro semestre. 

- O investimento em sócios é uma das prioridades da nova gestão, que é voltada para o torcedor. O novo plano vai dar desconto em ingresso, experiências únicas, redes de descontos, uma série de atividades para o torcedor. Ele vai poder se associar de forma rápida. Será uma aproximação – prevê Bernardo Pontes, gerente de marketing do Vasco.
O Inter se orgulha de seus mais de 120 mil sócios. Afinal, isso mostra a força da torcida. Garante cofres mais saudáveis. E assegura que o Beira-Rio esteja sempre lotado, certo?

Absolutamente errado. A média de público pagante do clube colorado no Brasileirão de 2014 foi de 22.318 pessoas, apenas a quinta maior do campeonato, atrás de Cruzeiro (29.678), Corinthians (28.960), São Paulo (28.544) e Flamengo (26.411). E isso com um estádio reformado, uma atração a mais para os torcedores. Aí está um aviso: ter associados aos montes não é sinônimo de estádio cheio. 
E por que nos campeonatos europeus é diferente? São distintos fatores - de segurança, de transporte, de qualidade do espetáculo, mas também de sucesso comercial do produto futebol. Por lá, consolidou-se um processo negligenciado pela maioria dos clubes daqui: a venda de carnês de ingressos para toda a temporada. É um ponto decisivo, na visão de Amir Somoggi, consultor e especialista em gestão esportiva.

- O que ainda não ocorre no Brasil é a cultura da venda da cadeira. Em qualquer país do mundo, e não só no futebol, se vende o carnê da temporada. O que existe no Brasil é o programa de sócio-torcedor, que dá só descontos na compra de ingressos. O erro estratégico para os programas no Brasil é que não criaram o conceito de lotar estádio. Vivem da mensalidade do sócio. Dá bom dinheiro, mas esse sócio pode deixar mais para o clube. O Palmeiras está comemorando porque está aumentando, isso é fantástico, mas não é o ideal. O Inter tem mais de 100 mil sócios e não consegue lotar seu estádio. Ele está só assegurando que o torcedor vá em grande parte dos jogos. Na Inglaterra, o torcedor chega a ir a 23, 24 jogos por ano. Esse cara consome no bar, no museu, aposta, movimenta muito dinheiro. E é muito dinheiro que os clubes brasileiros estão perdendo – opina Somoggi.

Aí pode estar um futuro mais lucrativo para os clubes: passar dos sócios que têm descontos caso queiram ir aos jogos aos sócios que efetivamente vão a todos os jogos – e, se não forem, podem avisar com antecedência e, assim, permitir que o clube venda sua cadeira naquela determinada partida. O Bahia, no ano passado, lançou um pacote válido para todos os jogos do ano – e que contemplava os torcedores que não eram associados ao clube. O Corinthians lançou neste começo de ano um programa de acesso a dez jogos (oito do Campeonato Paulista, o duelo da pré-Libertadores, contra o Once Caldas, e o amistoso com o Corinthian-Casuals). E a estratégia vale também para clubes pequenos. É o caso do Goytacaz, que lançou um carnê para os nove jogos que fará em casa na Série B do Campeonato Carioca.
O Atlético-PR parece consolidado nessa ideia já. Tem cerca de 25 mil associados com acesso automático a todos os jogos. Quer chegar a 42 mil em 2015. Lucra por volta de R$ 33 milhões anuais com os sócios.

- Não temos planos de desconto para ingressos, todos os nossos sócios têm acesso a todos os jogos. Sem custo. Eles têm cadeira personalizada, têm vantagens, além de participar da vida política, poder se candidatar, e temos nossa rede de vantagens, série de descontos com parceiros. Fazemos muita promoção. E, claro, o importante é a Arena – observa Mauro Holzmann, diretor de marketing do Furacão.
Atlético-PR e Coritiba são os principais nomes do Brasil ausentes do projeto “Movimento por um futebol melhor”, uma iniciativa da Ambev, em parceria com os clubes do país, para incentivar a associação de torcedores – que passam a ganhar descontos em uma série de produtos, de supermercados a cervejarias, passando por planos de telefonia e assinaturas de revistas. A ideia é que o projeto, se bem aproveitado pelo torcedor, possa fazer com que ele abata até todo o valor da mensalidade em produtos. A diretoria do Coxa está debatendo se entra ou não no movimento. 
O programa acaba sendo o maior benefício prático para os torcedores que estão distantes de seus clubes e mesmo assim decidem se associar – alguns departamentos de marketing também investem em parcerias próprias com empresas, desvinculadas do projeto nacional. Essa é uma fatia da torcida carente de maior atenção. Em geral, a alavanca dos planos de sócios é o ingresso para jogos. E muitos torcedores não têm interesse em ir à maioria absoluta das partidas.

O impacto desses torcedores varia de clube para clube. O Cruzeiro tem apenas 3% de seus associados morando fora de Minas Gerais; no Inter, são 4%; no Grêmio, cerca de 5%. São torcidas mais localizadas. Mas outras, com potencial mais nacional, tem muito a oferecer. O Flamengo, na final da Copa do Brasil de 2013, foi um exemplo claro disso.

- Foram vendidos cerca de 55 mil ingressos para o torcedor do Flamengo nessa final. E foi 100% online. Do total, 39 mil foram para sócio-torcedores. Todos sócio-torcedores que quiseram comprar, conseguiram. E 15 mil foram de fora do Rio de Janeiro, saídos de mil cidades diferentes. Deve ter sido, nesse sentido, a partida com público mais democrático da história do futebol brasileiro – comenta Bruno Spindel.
O segredo é fazer esse torcedor se sentir importante para o time e beneficiado pelo plano mesmo distante do estádio. Atrelar o associado a reforços costuma ser uma tática. O Cruzeiro adota o discurso de que todo o dinheiro arrecadado com sócios é automaticamente repassado ao futebol – o que faz com que aquele torcedor que paga R$ 12 na modalidade mais simples, sem acesso aos jogos, se sinta um pouquinho responsável pela montagem do elenco, ainda mais quando esse elenco ganha dois Brasileirões consecutivos. No Flamengo, depois da contratação de Marcelo Cirino, a diretoria prometeu outroFlamengo e Corinthians têm as maiores torcidas das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil – no Sul, Grêmio e Inter dominam. Há aí um enorme mercado a ser explorado. A maioria dos clubes já percebeu isso. E promete se voltar a esses torcedores.
- Esse é um dos itens em que a gente está trabalhando. A gente tinha o compromisso do segundo semestre do ano passado, que era a operação da Arena como um todo. Para a gente, é tudo muito novo, a cada jogo buscando processos de melhoria. Esse ano, isso é uma das coisas em que vamos investir, que é identificar quem é esse corintiano que não é da capital, qual o produto que podemos oferecer, qual modelo de negócio que podemos oferecer. É um projeto que está caminhando, estamos olhando para esse torcedor que não está aqui – garante Lúcio Blanco, o diretor de arrecadação do Corinthians, que tem apenas 3% de seus associados fora do estado de São Paulo. reforço de peso caso chegue à marca de 80 mil sócios.
O Santos, em forte crise financeira, espera tornar o plano de sócios um motor para o futuro. A nova diretoria calcula em R$ 13 milhões a arrecadação de 2014 – e quer aumentar esse valor. O clube tinha um plano de chegar a 100 mil associados em 2012, mas fracassou no objetivo. Atualmente, são 57 mil, e 60% deles estão fora da Baixada Santista.

- O grande desafio do Santos é a criação de um plano que traga o associado para próximo do clube, sem estar escorado no desconto de ingresso. Nossos exemplos são os clubes que tiveram crescimento grande da base de sócios sem estar ancorados em um novo estádio ou em alguma grande conquista dentro de campo. Este é o grande desafio do Santos – afirma Alex Fernandes, recém-empossado como novo gerente de marketing do Peixe.

Enquanto clubes gigantescos batem cabeça para fazer seus planos engrenarem, equipes bem menores mostram que criatividade é uma das chaves do sucesso. O Grêmio Osasco angariou mais de 10 mil sócios com parcerias com empresas (facilitando a associação de funcionários) e medidas extremamente simpáticas – como ir a maternidades e presentear bebês com macacõezinhos do clube. Já que os torcedores mais velhos da cidade torcem pelos grandes clubes de São Paulo, o objetivo é conquistar os jovens. E desde as primeiras piscadas de olho deles.  

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

SELEÇÃO DA COPINHA ESCOLHIDA

   

  Com o final da Copa São Paulo, chega a hora de escolher a seleção do torneio. O Corinthians campeão pela nona vez na história, é o time com maior número de escolhidos, com quatro. Entre eles, Marciel, o melhor jogador. O Botafogo-SP, vice-campeão, tem três jogadores: Alex, Isaac e Caio Ruan. São Paulo, Palmeiras, Grêmio e Atlético-MG completam a lista, cada um com um representante.
Confira a seleção da Copinha, feita pelo Na base da bola:

Goleiro: Rodolfo (Atlético-MG)
O lugar seria de Talles, do Botafogo-SP, que falhou na decisão. Como nenhum outro goleiro semifinalista se destacou tanto, a vaga fica com o atleticano Rodolfo, que mostrou boa segurança durante o torneio e ainda foi herói na quase interminável decisão por pênaltis contra o Flamengo, nas oitavas de final.

Lateral-direito: Raul (Grêmio)
Com alguma folga, o melhor da posição. Rápido, vai ao ataque com facilidade, cruza muito bem e tem ótima bola parada. Foi sempre uma ótima opção de ataque para os gremistas e desponta, junto com Breno, do Atlético-PR, como o melhor lateral-direito de sua geração.
 
Zagueiro: Rodrigo Sam (Corinthians)
Muito regular durante toda a Copinha, Rodrigo Sam mostrou ótima velocidade, capacidade de recuperação e senso de antecipação. Características diferentes da maioria dos zagueiros concorrentes, mais fortes e lentos. Deve subir para os profissionais.

Zagueiro: Caio Ruan (Botafogo-SP)
Um contraponto de Rodrigo Sam. Alto e muito forte no jogo aéreo, Caio Ruan foi quase sempre um ponto de segurança na zaga botafoguense. Emprestado pelo Rio Branco-ES, fez sua primeira e última Copinha, mas deverá ter chances de crescer no próprio Botafogo-SP ou em outra equipe.

Lateral-esquerdo: Guilherme Arana (Corinthians)
Pelo segundo ano consecutivo, o melhor da posição. Forte e talentoso, Arana é eficiente nos cruzamentos, tem bom chute e boa chegada em diagonal. Não à toa, já treina nos profissionais desde o ano passado, quando tinha apenas 17 anos.

Volante: Gustavo Hebling (São Paulo)
Um primeiro volante muito acima da média. Vira o jogo com uma facilidade impressionante e chega o tempo inteiro na área adversária para finalizar. Foi o melhor jogador do São Paulo na competição.

Volante: Marciel (Corinthians)
O melhor jogador do torneio. Foi o protagonista do Corinthians em vários momentos, mostrou muita qualidade nos passes verticais e chutes de fora da área de pé esquerdo. Canhoto, é um jogador que pode compor o elenco profissional com tranquilidade.

Meia: Alex (Botafogo-SP)
Canhoto, habilidoso e muito calmo com a bola no pé, Alex foi o maestro do Botafogo-SP durante a surpreendente campanha do vice-campeonato. Brilhou no jogo contra o Fluminense, com um gol e uma assistência, e já é cobiçado por diversos clubes grandes do país.

Atacante: Gabriel Jesus (Palmeiras)
Exibiu durante a Copinha uma combinação rara de velocidade, técnica e qualidade na finalização. Foi o melhor jogador do Palmeiras em todos os quesitos, e mostrou que pode atuar tanto como centroavante  quanto pelos lados do campo. 

Atacante: Isaac (Botafogo-SP)
Um dos artilheiros do torneio com oito gols, Isaac mostrou oportunismo e certa técnica com a bola, sobretudo no passe para o segundo gol do Botafogo-SP contra o Palmeiras. Centroavante de referência, deve subir para os profissionais.

Atacante: Gabriel Vasconcelos (Corinthians)
Outro artilheiro do torneio com oito gols, Gabriel Vasconcelos mostrou muita técnica e inteligëncia. O ataque corintiano cresceu muito a partir do momento em que ele virou titular, e o bom desempenho deverá ser recompensado com uma promoção para os profissionais.

Time reserva: Talles (Botafogo-SP), Léo Príncipe (Corinthians), Lucas Rocha (Palmeiras), João Neto (Botafogo-SP) e Guilherme (Palmeiras); Maycon (Corinthians), Arthur (Grêmio), Nickson (Vitória), Juninho (Palmeiras): Matheus Cassini (Corinthians) e João Paulo (São Paulo)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

DIMENSÃO DAS DÍVIDAS DOS CLUBES EM RELAÇÃO AOS CORTES NO BOLSO DOS BRASILEIROS



     No decorrer dos últimos dias temos recebido notícias nem um pouco animadoras, num primeiro momento, vindas de Brasília, mais precisamente do Ministério da Fazenda.
Outra notícia de impacto, mas positiva, para os torcedores brasileiros também veio de Brasília, diretamente do Palácio da Alvorada: o veto da Presidente à tentativa de aprovar um novo esquema de parcelamento das dívidas fiscais ou tributárias de nossos clubes, sem a menor contrapartida dessas entidades e de seus dirigentes.
Essas notícias, aparentemente, nada têm em comum, mas, na realidade, elas têm muito em comum, fazem parte de um contexto no qual, a conta final, acaba sendo paga pelo cidadão, mesmo aquele que não torce por ninguém e sequer gosta de futebol.

As duras e pesadas decisões das autoridades monetárias, com o conhecimento e aprovação da Presidência, logicamente, fazem ajustes econômicos com a finalidade de recolocar o país nos trilhos e, depois disso, voltar a crescer. De forma resumida, podemos dizer que o país (entenda-se aqui o “governo”) gastou mais do que arrecadou (como, porquê e para que é outra discussão que não cabe aqui).
Abriu um rombo nas contas e agora sai todo mundo correndo atrás de dinheiro para tampar o buraco.
Pois bem, antes de entrar no futebol vejamos três dessas medidas.
Vamos começar pelo pacote tributário da Presidente Dilma e seu Ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Trazendo de volta a malfadada CIDE, entre outros tributos, esse pacote foi criado para arrecadar R$ 20 bilhões, valor equivalente a 0,4% do PIB brasileiro.
Outro pacote de medidas igualmente tenebrosas foi o que afetou pensões e seguro-desemprego, entre outros. Estima-se que esse pacote economizará mais 0,36% do PIB, algo como R$ 18 bilhões.
Por fim, temos ainda a correção do Imposto de Renda na Fonte, estabelecida pela Presidente em 4,5% depois de vetar a decisão do Congresso Nacional de um reajuste de 6,5%, o que deixaria um dinheirinho a mais nos bolsos brasilianos – R$ 7 bilhões.
A intenção do governo com essas e outras medidas é conseguir economizar 1,0% do PIB, pelo menos, chegando talvez a 1,5%, com algumas outras medidas de redução de despesas.
Tenhamos em mente, portanto, os três pontos expostos acima, sem entrar no mérito de serem ou não corretos ou justos:
 mais impostos para gerar R$ 20 bilhões;
menos benefícios sociais para economizar R$ 18 bilhões;
- correção do IRPF abaixo da inflação (novamente) para arrecadar mais R$ 7 bilhões.

No início dessa semana a Presidente Dilma vetou o item da MP 651 que criava uma lei para permitir, mais uma vez, o parcelamento dos débitos fiscais dos nossos clubes, assunto já exaustivamente exposto e debatido nesse OCE.
Em sua edição de ontem, quarta-feira, artigo do jornal Folha de S.Paulo, elaborado com base em relatório da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, mostrou que a dívida fiscal e tributária total dos clubes brasileiros de futebol chega hoje a R$ 3,7 bilhões.
Somente os 12 maiores clubes brasileiros devem, juntos, R$ 1,6 bilhão de reais.

Uma continha simples mostra que somente essa dívida dos clubes de futebol equivale a um pouquinhomenos de 0,1% do PIB brasileiro. Ou, em outras leituras:
- A dívida de nossos clubes equivale a 20% do valor total que será cortado de benefícios de trabalhadores e aposentados. Imaginem o peso desses benefícios que serão cortados, a falta que farão para viúvas e desempregados e suas famílias.
- Os novos impostos e alíquotas irão impactar nossos bolsos, seja diretamente (nas bombas de combustível) ou indiretamente (pagando mais caro por inúmeros produtos, básicos ou não). E o valor devido pelos clubes representa um quinto do que o governo pretende arrecadar.
- A correção do Imposto de Renda Pessoa Física na Fonte em apenas 4,5% irá retirar da massa salarial R$ 7 bilhões. Um bom dinheiro, sem a menor dúvida. Faça você mesmo a conta do que você receberia com a correção de 6,5% e o que vai receber agora. É aqui que o bicho pega mais forte e mais diretamente, pois o valor das dívidas tributárias do conjunto de nossos clubes é um pouco mais da metade do dinheiro que o governo irá embolsar dos salários dos trabalhadores.

Realmente, deu para ver que não é pouca coisa o que devem nossos clubes somente em tributos federais.
E essas dívidas, esses impostos que não foram pagos, pesam no bolso de todo torcedor, no bolso de todo cidadão.
Acho importante termos bem claro tudo isso, pois, se de um lado queremos ver nossos clubes fortes e saudáveis, por outro não é justo, não é correto que todos nós, toda a sociedade, paguemos por essas contas mais uma vez.
Tem mais: uma parte desses valores devidos poderia ter sido paga, mas foi usada para contratar e pagar jogadores. Foi usada para fazer caixa, o que, ainda por cima, é tremendamente injusto com os poucos clubes que fazem seus pagamentos em dia dos impostos correntes ou negociados.

Por tudo isso, por todos esses motivos e muitos outros, é imperioso que a sociedade e as autoridades parem de passar a mão na cabeça dos clubes, permitindo que continuem ganhando dinheiro e gastando mais do que ganham. Que não se comprometam de verdade, para valer, com os compromissos assumidos.
Querem parcelar as dívidas?
Ótimo, vamos parcela-las, mas dessa vez precisa haver comprometimento real de clubes e dirigentes. Precisamos de regras claras, objetivas, penalizando os não pagadores e também os seus dirigentes, patrimonialmente.
Porque somente assim nosso futebol poderá se acertar e voltar a crescer em qualidade, beleza e importância dentro do grande mundo da bola.

O tom desse post pode parecer político, mas não é. Falei apenas o que já está na cabeça de muita gente, todos cansados de acordos não cumpridos, ao mesmo tempo que o dinheiro rola grosso e sonante em salários absurdos, fora de nossa realidade, para jogadores e treinadores. Em comissões para agentes e para intermediários de negócios que, a rigor, jamais precisariam de intermediação. E em muitos outros gastos que ajudam a manter algumas aparências e apenas enganam, iludem os torcedores.
O melhor futebol do mundo, jogado nas ligas alemã e inglesa, principalmente, mostra o caminho que devemos seguir, sem copiar, simplesmente, mas usando os mesmos conceitos, em especial o fair play financeiro.
Da próxima vez que o presidente de seu clube do coração falar em contratações fora da realidade ou seu diretor financeiro rolar uma dívida para a frente, lembre do seu imposto de renda retido na fonte. Ou do prazo maior para receber o seguro-desemprego. Ou do preço a pagar no caixa do posto de gasolina depois da clássica e gostosa frase:
- Enche o tanque!

Adendo: Quanto deve cada um dos 12 maiores?
Essas dívidas chamadas fiscais ou tributárias incluem os impostos federais propriamente ditos, como o Imposto de Renda, e as contribuições para o INSS e para o FGTS.
Alguns dos clubes listados já fizeram acordos com a Receita e, pelo que sabemos até o momento, estão cumprindo com suas obrigações.
Teremos uma imagem mais clara, uma noção mais aprofundada dessa situação nos primeiros dias de maio, depois da publicação de todos os balanços.